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Sexta, 13 Outubro 2017 11:05

Criatividade, suor e foco para vencer do outro lado do País

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Quem diria que a curiosidade de uma garotinha gaúcha criada em meio a recortes de tecido, agulhas e linhas entre a casa da avó e da mãe se transformaria, décadas depois, em peças lapidadas a partir da natureza do Tocantins... Foi a infância simples da Andrieli Pinto, junto à necessidade de aprender um ofício que auxiliasse no sustento da casa e aulas de bordado e pintura que eram disciplinas na escola pública em que estudava em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, que deram um norte quando a então jovem recém casada vinha tentar a vida no mais novo Estado da Federação, no início dos anos 2000.

No currículo a Andrieli só tinha as experiências das aulas de artesanato na escola, que ela ainda nem havia concluído e o que as matriarcas da família que ficara no Sul ensinaram. Mas com a cabeça fervilhando de ideias e a habilidade nata para a arte manual, palhas de buriti viraram acessórios de chapéus, composição de bolsas... Sementes do cerrado se transformavam em bijuterias, entre uma infinidade de objetos que a criatividade da Andrieli a permitiu criar, a partir de um olhar apurado sobre a flora tocantinense.

A sala de aula, onde ainda cursava ensino médio ao se mudar para Palmas, foi sua primeira vitrine. Os acessórios criados para ela mesma usar chamaram a atenção das colegas que sugeriram que ela levasse os produtos à Feira do Bosque* . E foi lá, com uma manta estendida no chão com peças feitas para uso pessoal, em 2001, que a aspirante a artesã entrou oficialmente no mercado. Em apenas uma noite de vendas, ela viu chegar às suas mãos o lucro de um mês de trabalho.

Encantada mas não deslumbrada com o sucesso dos seus produtos, a Andrieli virou presença confirmada em todas as feiras da Capital, de quinta a domingo durante 15 anos. Tempo de muita adaptação e aprendizado, pois a partir daí veio a exigência natural de planejamento, estudo do mercado comprador e fornecedor, já que até a exploração da natureza precisava ser feita de maneira correta; especialização de técnicas, contatos, filhos que chegaram para dividir a atenção da empresária em potencial...

A habilidade da artesã nata parecia não estar só nas mãos, mas na cabeça também. Conseguiu administrar toda essa produção empreendedora e maternal e abrir sua primeira loja no ano de 2005, em Taquaralto, região Sul de Palmas. Percebeu o mercado e agregou peças de outros artesãos locais. Na sequência foi para o Rodoshopping, onde considera ter tido muita visibilidade para dar o próximo passo, que foi a abertura de uma loja no centro de Palmas em 2010, no formato de sociedade. E, depois, mais dois anos de trabalho árduo se dividindo entre a confecção de peças, a loja e as feiras para abrir uma empresa maior em área privilegiada da Capital.

Durante todo esse processo de crescimento pessoal e profissional, algo da garotinha gaúcha nunca saiu da Andriele: a curiosidade pelo saber. Em meio a tudo o que foi se somando a sua rotina, nunca faltou tempo para aperfeiçoar seu talento através de cursos. Hoje, dona de uma marca própria, a designer de biojoias já alinhavou seu projeto para 2018: foi uma das 100 escolhidas no País para representar o artesanato brasileiro, por meio de um concurso do Sebrae. Junto com a Andrieli, matérias-primas do nosso Estado transformadas em joias e outros objetos vão voar pelo Brasil.

“Gigante dentro de si por ter vencido tantos desafios internos para chegar até aqui!”

“Artista de duas obras que são sua fonte de inspiração: Giovane César e João Gabriel, os filhos”.

O resumo de uma história de empreendedorismo traçada com todos os elementos inerentes a todas nós, mulheres: força, determinação, capacidade para fazer multitarefas sem deixar o bem mais precioso de lado, a família.

*Feira do Bosque é um espaço público em formato de praça na 502 sul, às margens das Avenidas Teotônio Segurado e NS 2, onde ocorre todos os domingos a  comercialização de comidas típicas do Estado, artesanato, utensílios domésticos, cama, mesa e banho, além de roupas e calçados.

Última modificação em Sexta, 13 Outubro 2017 11:48
Cheila Naves

Mãe de três filhas, Cristã, Professora do IFTO, Empresaria de uma academia exclusivamente feminina. Foi a primeira coordenadora do projeto social internacional Brasil - Canadá, que trabalhava com mulheres em estado de vulnerabilidade.

www.colunaviptocantins.com.br/cheila-naves
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