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Quarta, 22 Novembro 2017 08:05

Quando o humor vai embora

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Já passamos do Outubro Rosa, estamos no chamado Novembro Azul, meses em que são intensificadas as campanhas de combate ao câncer de mama e próstata, respectivamente. As iniciativas são mais que válidas, afinal pelo menos nesse período a sociedade parece ‘acordar’ para um mal que ronda a todos nós cada vez com mais veemência. Por isso a necessidade de falar do câncer em qualquer oportunidade. No último dia 10 de novembro, o Brasil se entristeceu com a partida da atriz Márcia Cabrita, vítima de câncer de ovário, contra o qual lutou bravamente por sete anos. Uso o exemplo da artista porque se fez ser conhecida por arrancar risos de muitos de nós em vários papeis de sua carreira e, especialmente, no humorístico Sai de Baixo, interpretando a doméstica Neide Aparecida.

O câncer de ovário tem uma chance de cura de apenas 4%, segundo pesquisas. Quando alguém muito ativo ou especialmente feliz sai de cena a sensação é de que o vazio é maior, não porque aquela pessoa seja mais amada que outra, mas pela intensidade com que vivia e contagiava quem estava perto.

Apesar do tratamento seguido à risca e da vontade de vencer a doença, Márcia passou pelo processo difícil de aceitação. Sua alegria, característica tão peculiar, também deu lugar ao choro misturado a muitos sentimentos, conforme ela descreveu num artigo publicado no jornal O GLOBO¸ em 2011, do qual compartilho um trecho:

“Eu fiquei gravemente doente. Ao contrário do que muitos fantasiam, não tirei de letra. Não sei o porquê, mas existe uma ideia estapafúrdia de que quem está com câncer tem que, pelo menos, parecer herói (...) Sofri pelo que é "o de menos", chorei pelos cabelos, pelas sobrancelhas, pelos cílios e pelo... resto que vocês sabem. Chorei pelas dores, enjoos, injeções e tudo mais. Eu me dei esse direito. Eu me dei o direito de ser humana. A Mulher Maravilha mora na televisão (...) meu giro foi bem devagarzinho, segurando na mão de minha mãe, de minha irmã e de meus queridos amigos e familiares”.

O desabafo muito bem escrito da atriz ainda não é nem de perto a realidade do paciente e as pessoas do seu convívio que, hoje em dia, não são mais aquelas distantes de nós, afinal esse mal tem atingido tantos que quando você não é uma vítima dele, conhece pelo menos alguém que enfrenta a doença ou que morreu em consequência dela. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 32 milhões de pessoas tem câncer hoje; no Brasil são pelo menos 500 mil novos casos por ano, conforme o INCA e até 2030, outras 21 milhões de pessoas devem ter a doença em todo o mundo, segundo a OMS.

Como bem disse o artigo de Márcia Cabrita, o sorriso dá lugar ao pranto e isso infelizmente acontece muito antes da pessoa morrer. Não só o paciente mas família e amigos parecem receber uma condenação de morte quando o câncer é diagnosticado. 

O humor de Marcia Cabrita não foi embora junto com seu corpo físico; seu trabalho e sua história ficaram. Se as estatísticas são ruins ou não para o futuro da doença, o que  resta é nos cercarmos de cuidados, da alimentação à prática de atividades físicas que, comprovadamente, ajudam a evitar o câncer. Além disso, principalmente, nos preenchermos de fé e solidariedade para com quem quem enfrenta o problema, pois quando o humor vai embora, essas reservas positivas podem ser o grande diferencial.

Fotos: Reprodução Internet

Última modificação em Quarta, 22 Novembro 2017 11:58
Cheila Naves

Mãe de três filhas, Cristã, Professora do IFTO, Empresaria de uma academia exclusivamente feminina. Foi a primeira coordenadora do projeto social internacional Brasil - Canadá, que trabalhava com mulheres em estado de vulnerabilidade.

www.colunaviptocantins.com.br/cheila-naves
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